Cada dia é um desafio, uma oportunidade, um composto de momentos, por vezes tão pequenos onde me reinvento. Ou talvez onde apenas me reencontro... e me sinto viva!

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Revoltando no passado...

Hoje foi dia de arrumações. Há muito que as andava para fazer, mas fui adiando porque sabia que inevitavelmente teria de mexer na caixinha onde guardo todas as coisas do passado. A minha caixinha de tesouros.

Para muitos será uma caixa de tralhas sem sentido algum, apenas eu sei qual o sentido dos sentimentos, da cronologia dos acontecimentos, de cada pedaço de objecto que alí se encontra. Abrir aquela caixa é sentir toda aquela montanha de emoções que uma criança vive aquando o momento da caça ao tesouro.

Pois bem... mãos à obra e fui dando a volta pelas coisas maiores: sebentas, cadernos, papeis que nem eu entendi o que eram, mas deixei ficar porque existem coisas na nossa vida que em nada fazem sentido e no entanto mantemos até ao dia em que simplesmente desaparecemos com elas.

Ainda nesta altura me vieram parar coisas à mão carregadas de energias tão distantes que ao vê-las pensei: "eu fui assim", depois "era assim"... e um clic: "Não. Eu sou assim!" e naquele momento senti-me a vibrar: "ESTOU VIVA!!!" pensei eu. Algures no passado, sem qualquer intenção e sem saber carreguei de boas energias objectos que enviei para o futuro. Futuro esse que é hoje, aqui e agora e que vibra com essas mesmas energias.

Finalmente cheguei ao meu dito tesouro... parei, respirei fundo... remexi, reli, recordei. No fim apenas ficou isto: tantos amores que tive, em cada um depositei todo o meu amor, em cada um pensei que tinha encontrado o amor da minha vida pela quantidade de coisas tontas que escrevi... apercebi-me que não. Não sofri assim tanto por aquelas "perdas".

Claro, inevitavelmente pensei em ti... se serias daqui a uns tempos como aquelas passagens... Pergunta idiota... Não, não serias. Foram sete anos, muitos momentos que guardo tão fundo dentro de mim, recordações boas, emoções, sentimentos experimentados... tanta coisa! A nossa filha... O teu cheiro sinto-o quando fecho os olhos, até te consigo imaginar por instantes diante de mim... Conheço-te cada milimetro de pele, cada expressão... Tudo isto parece estar demasiado longe e impossivel de alcançar, mas ao mesmo tempo está tudo aqui e alí. Estás em todas as coisas que me rodeiam. Ainda estás em mim. E não sei quando sairás ou quando eu te deixarei ir.

Continuo a procurar-te mesmo sabendo que nunca mais te encontrarei da mesma forma que te guardo...