Estou aqui sentada a pensar em tanta coisa... Pensar é sem dúvida o verbo que mais tenho praticado neste últimos tempos. Conjugo o verbo no presente do indicativo relativamente ao rumo que vou dando à minha vida, como vou agir, como me sinto e como se sentirão todos os corações por detrás daqueles rostos que se cruzam comigo. Penso em tudo e em nada, penso até demais chegando por vezes a esquecer-me de mim...
Penso no dia em que a minha filha nasceu. Naquele dia marcado por tanta coisa... Quando estamos prestes a ser mães pela primeira vez nem conseguimos imaginar como se irá apresentar o mundo para nós após aqueles segundos... Muda tanta coisa... Gravidez desejada, não desejada, planeada ou não a verdade é que muda, nós mudamos, a pessoa que vive connosco também muda, até os quase desconhecidos mudam. As prioridades passam a ser outras e por mais que queiramos negar estas transformações acontecem. Nos segundos seguintes deperamo-nos connosco próprias e temos a sensação que estamos no lado de fora a olharmo-nos e a perguntarmos "quem és tu?". Podemo-nos tornar em mulheres que a partir daquele momento pensam que são só mães, outras que acham que de mãe não têm nada e que são apenas mulheres, há ainda as que olham para os companheiros e pensam que está alí perante eles a personificação do amor que sentem um pelo outro... infinitas formas de estar e de ser...
No dia em que nasceste eu voltei a nascer e à medida que tu cresces eu cresço também. Enquando adquires as ditas faculdades primárias como mastigar, pegar num copo sozinha, andar, correr saltar... eu meu amor... eu aprendo a viver num mundo de gente crescida de uma outra forma, com outro olhar, com outros sentimentos...
Aprendo a amar-me e a defender-me sem magoar ninguém.
Aprendo que eu não sou uma atriz que representa vários papeis. Sou sim um palco onde se conjugam várias personagens vários lugares, várias histórias. Um palco vivo e itinerante que tem tantos actos, tramas, romance, que desperta emoções e que todos os dias deixa cair o pano para no dia seguinte reabrir outra vez. Sou um palco de tantas situações novas, que nunca ninguém me ensinou a gerir, das quais tenho contacto pela primeira vez... perante as quais sou obrigada a reinventar-me para poder seguir em frente, para me proteger e para que tu meu amor não te apercebas que o mundo tem outras coisas menos boas. E não é que te queira proteger de tudo e trancar-te numa torre. Quero isso sim deixar-te viver uma infância feliz, de sonhos, alegrias, num imaginário que um dia será a tua zona de conforto para enfrentares todas estas coisas, que possas recordar e te deixe com um sorriso rasgado nos lábios. Porque seres criança quando o tens de ser é um direito teu que jamais vou deixar que to tirem.
AMO-TE FILHA!
Ver-te crescer e poder crescer contigo tem sido um privilégio que me tens dado. Não sabes mas tens sido a minha Luz e a minha Força de todas a vezes que me senti a cair para trás. Considero-nos uma equipa e acho que é isso que somos verdadeiramente: uma boa equipa.
Os meus desejos não são uma vida inteira de coisas boas, porque isso é irreal. Eles recaem mais numa vontade e esperança de sermos uma rocha. Que perante as adversidades da vida de cada uma de nós tenhamos a capacidade de nos unir e nos tornarmos num penedo demasiado denso e forte para ser derrubado.
Aprendo a viver por mim, por ti, por nós.
Estás sempre e para sempre no meu coração.
Ser mãe é muito mais além do que o olhar pode alcançar e do que a mente pode voar. Ser mãe "é viver constantemente com o coração fora do corpo". Ser mãe é um caminho de aprendizagem, de dádiva e dignidade. Obrigada por me teres escolhido como mãe.
terça-feira, 2 de março de 2010
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